Carcinoma: entenda o que é, sintomas e tratamento desse tipo de câncer de pele

Carcinoma o que é


Autor: Dr. Rodrigo Fudule Miziara e Dr. Ranyell M. Spencer
Cirurgia Oncológica

 

Carcinoma são tumores malignos que se iniciam na pele ou nos tecidos que revestem ou cobrem os órgãos internos. Trata-se do tipo mais comum de câncer e o que mais atinge pessoas ao redor do mundo.

Existem diversos tipos de carcinomas que podem acometer diferentes partes do corpo humano, como pele ou nos pulmões, mamas (câncer de mama), próstata, cólon, rins e pâncreas.

Estar atento aos sinais ou sintomas é fundamental para buscar auxílio médico e iniciar o tratamento o mais rápido possível.

O que é carcinoma?

O carcinoma cutâneo é o câncer mais comum na humanidade. Ele representa um conjunto de cânceres de pele do tipo não melanoma (CPNM), e é originado a partir de células de revestimento e glandular (tecido epitelial).

Tem por características habituais uma taxa menor de crescimento e de geração de metástases, quando comparado com os melanomas.

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Quais são os tipos de carcinoma?

Os principais tipos de carcinoma cutâneo são: carcinoma de células basais e carcinoma espinocelular, que representam quase que a totalidade das neoplasias malignas de pele do tipo não melanoma.

Entre os tumores raros, estão classificados o Carcinoma de células de Merkel e Carcinoma Sebáceo, que têm características diferentes dos anteriores por possuírem maior agressividade local e principalmente à distância. Estes representam menos de 1% dos cânceres de pele.

Carcinoma espinocelular

O carcinoma espinocelular é o segundo câncer de pele em incidência, representando cerca de 20-25% dos tumores malignos não melanoma. São oriundos da proliferação desregulada dos queratinócitos da epiderme (células produtoras de queratina - proteína utilizada no revestimento cutâneo).

Vale ressaltar que, diferentemente de outros tipos de câncer, como colo uterino, pênis e orofaringe, o HPV (papiloma vírus humano) não tem relação bem estabelecida com a origem da lesão cutânea.

As características do carcinoma espinocelular são:

  • Mancha ou placa eritematosa (vermelha) bem demarcada e escamosa;
  • Pápulas ou nódulos endurecidos com hiperqueratose, ou seja, aparência ressecada;
  • Pápulas carnosas granulomatosas.

Carcinoma basocelular

O carcinoma basocelular tem a maior incidência, cerca de 75-80% dos casos de câncer de pele não melanoma.

Se origina das células da camada basal cutânea, cujos genes PTCH1 e TP53 estão mutados pela exposição aos Raios Ultravioleta B (UVB).

É o carcinoma com crescimento mais lento e menor taxa de disseminação entre todos.

Algumas lesões características do carcinoma basocelular são:

  • Pápula rósea ou cor de carne, podendo ser translúcida com borda mais elevada que a área central;
  • Máculas avermelhadas ou róseas com aparência atrófica;
  • Pápulas ou placas lisas da cor da pele ou claras endurecidas e bordas mal definidas.

O que causa o carcinoma?

Assim como o melanoma, o carcinoma apresenta como principal fator de risco a exposição solar, principalmente aos raios UVB, que têm maior incidência entre as 9h e 16h.

Além disso, acomete mais frequentemente pessoas do fototipo 1 e 2 (pele clara), pessoas imunossuprimidas e com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.

Sabe-se que o tabagismo é um fator de risco para o carcinoma de células escamosas, porém ainda incerto se há algum efeito em relação ao carcinoma basocelular.

Quais são os sintomas de carcinoma?

Os principais sintomas são as lesões cutâneas em áreas expostas ao sol, que podem passar despercebidas por alguns anos até o diagnóstico. Esse tipo de câncer raramente atinge áreas protegidas do UVB, podendo acometer mais frequentemente locais de cicatrização crônica e a população negra.

As lesões podem acompanhar sintomas locais relacionados, como: coceira, sangramento, ulceração, dor local, irritação, saída de secreção, infecção secundária e mau cheiro.

É muito incomum a presença de sintomas sistêmicos, como emagrecimento, perda de apetite, fraqueza, entre outros muitas vezes relacionado aos cânceres. Esses sintomas surgem apenas em casos raros de doenças volumosas e com metástases.

Foto da pinta carcinoma sintomas


Qual é a diferença entre melanoma e carcinoma?

As diferenças entre as duas principais neoplasias malignas da pele podem ser divididas em:

Origem

Enquanto os carcinomas surgem das células epiteliais (células de revestimento), os melanomas têm origem nos melanócitos, células produtoras de melanina - pigmento escurecido da pele. Isso explica porque o melanoma frequentemente se apresenta como lesão escurecida semelhante a nevos.

Prognóstico

Apesar do tratamento do melanoma ter tido grandes avanços nos últimos anos, ainda assim são considerados lesões agressivas e com risco elevado a depender do estágio da lesão ao diagnóstico.

Não raramente, os melanomas se apresentam com disseminação regional (metástase linfonodal - comprometimento de linfonodos próximos à lesão inicial) ou metástases à distância (comprometimento de órgãos como pulmão, fígado, ossos, sistema nervoso central, entre outros).

Entre os carcinomas mais comuns, a presença de metástase linfonodal é infrequente, podendo estar presente em casos avançados localmente e com características patológicas desfavoráveis.

Tratamento

A remoção cirúrgica das lesões é essencial tanto para os melanomas quanto para os carcinomas. Porém, os melanomas necessitam de tratamento complementar, a fim de aumentar a sobrevida livre de doença.

Em relação aos carcinomas, caso não haja comprometimento das margens cirúrgicas, só o segmento se torna necessário.

A complementação nos melanomas é realizada com a ampliação da cicatriz (margem de segurança), pesquisa do linfonodo sentinela (ressecção do primeiro linfonodo a receber drenagem linfática da região acometida) e, em alguns casos, tratamento sistêmico com imunoterapia ou terapia alvo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico inicia com a suspeita clínica, normalmente realizada pelo próprio paciente ou familiar, de lesões de crescimento lento ou ferimentos que não cicatrizam. A partir da qual deve ser avaliada por um médico especializado, podendo ser necessário ou não um dermatoscópio para auxílio.

O diagnóstico definitivo é realizado após a biópsia da lesão e análise do material por um patologista experiente. Sempre que possível, a biópsia excisional é o padrão ouro, podendo ser realizada via ambulatorial ou em centro cirúrgico, a depender da disponibilidade de materiais adequados para realização do procedimento.

Qual é o tratamento para câncer de pele carcinoma?

O tratamento é baseado primariamente na ressecção cirúrgica da lesão com margens livres (retirada de toda a lesão), sendo algumas vezes necessária a realização de cirurgias reconstrutoras para fechamento dos defeitos primários e melhora da qualidade estética da ferida operatória.

Um segundo procedimento cirúrgico (ampliação de margens) pode ser necessário para garantir a retirada de toda a lesão e assim reduzir a taxa de recidiva da lesão.

Em casos iniciais (in situ), pode ser realizado tratamento tópico com Imiquimod ou Fluoracil. Esse tratamento apresenta como benefício uma melhor qualidade estética final, porém com uma chance de recidiva maior.

Se não houver remissão da lesão ou recidiva da mesma, o tratamento padrão passa a ser cirúrgico.  A radioterapia pode ser utilizada em casos em que a equipe médica opta por não realizar o tratamento cirúrgico de lesões primárias mais avançadas ou após tratamento cirúrgico, porém com margens comprometidas na qual a ampliação de margens (complementação cirúrgica) não é factível devido a possíveis complicações estéticas.

O tratamento sistêmico com terapia alvo, imunoterapia ou quimioterapia é indicado para casos avançados cujo tratamento local não é curativo (pacientes metastáticos) ou em algumas situações especiais na tentativa de redução da lesão primária para posterior ressecção com menor comprometimento estético ou funcional.

O acompanhamento pós operatório é primordial para diagnóstico precoce da recidiva local ou do surgimento de novas lesões. Esse deve ser realizado com exame físico a cada 6 meses no primeiro ano e posteriormente a cada ano.

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